Pois então, é isso mesmo: eu não torço pro Santos. Torço pro Internacional de Porto Alegre, torço pro Liverpool e pro Milan. Torço pro New England Patriots e pro Boston Red Sox e torço pra seleção na Copa. Também torço pra que não chova quando vai ter uma festa legal, torço pra que eu vá bem na prova de Processo Civil e pra que eu chegue em casa inteiro quando saio de carro e tomo uns chopps a mais.
Torcer é efêmero, é transitório, é fraco. Te deixa nervoso uma vez ou outra, te emociona um pouquinho… e só. Não é isso que acontece com o Santos. Eu não torço pro Santos, eu SOU Santos. Saca? Eu não estou Santos, eu SOU Santos. Quando o Colorado perde, eu não sofro, não fico desanimado, não me deixa pra baixo. Quando o New England Patriots perdeu o Super Bowl XLII eu xinguei o Tom Brady, o Asante Samuels e acabei com a coitada da mãe da Gisele Bündchen; 15 minutos depois eu tava pouco me fodendo pro jogo.
Agora, quando o Santos levou o primeiro gol do segundo jogo da semi-final da Libertadores 2007 do Grêmio, eu quebrei os meus óculos. Quando tomou 4 a 1 do Fluminense na semi-final do Brasileiro de 1995, eu chorei horrores. E não me lembro de felicidade maior do que a que senti no 5 a 2 do segundo jogo, ou no 3 a 2 em cima do Corinthians que nos deu o título brasileiro de 2002. O torcedor do Santos pode até ter comemorado o título, mas só o santista passou semanas com um sorriso no rosto.
Só o santista viaja mais de 1.000 km pra ver o time depois de tomar um 2 a 0 fora de casa, no mata-mata da Libertadores. Não consigo lembrar da minha visita à Vila Belmiro ano passado sem ficar emocionado. Aquela sala de troféus coalhada de estátuas e medalhas, uniformes clássicos e placas comemorativas; o gramado que tantas vezes vi pela televisão, a gritaria da Torcida e da Sangue Jovem ali do meu lado, as músicas pra empolgar o plantel, os jogadores a poucos metros de mim…
Cada ano dos 15 que se passaram até eu ver o primeiro brasileiro do time me fizeram mais santista. Cada gol sofrido, cada goleada sofrida me fizeram mais santista. Os 7 tomados do Corinthians me tatuaram um símbolo do Santos no coração. Ser santista é amar o time na derrota também, porra. Os gols pró atraem multidões, os gols contra separam o joio do trigo. E por falar em lances pró, que lances, hein?
As pedaladas do Robinho, a bicicleta do Alberto, o gol anulado do Camanducaia, os do Giovanni contra o Flu, o peixinho do Moraes, as carreiras do Léo, os desarmes do Alex, a elegância do Renato, a raça do Narciso, a vontade do Carlinhos, a coperice do Galo, e, agora, o toque de bola primoroso do Ganso. Tudo isso é Santos, meu querido. Tudo isso é coisa que o torcedor comemora e brada aos 7 ventos, mas que só o santista se emociona ao lembrar.
Eu não torço pro Santos. Eu sou santista.